Agência de Notícias do Amapá
portal.ap.gov.br
Ferramenta de pesquisa
ÁREA DE GOVERNO
TAGS
LOCALIDADES
CONTEÚDO
PERÍODO
De
A
RURAP BELÉM

Governo do Amapá participa de encontro internacional sobre emergência sanitária da cultura da mandioca, em Belém

Objetivo do evento é desenvolver estratégias na região amazônica para prevenir o impacto e a propagação da doença conhecida como 'vassoura-de-bruxa'.

Por Cristiane Mareco
26/03/2025 17h19
Encontro visa interromper o ciclo de transmissão a outras regiões e espécies da 'vassoura-de-bruxa'
Encontro visa interromper o ciclo de transmissão a outras regiões e espécies da 'vassoura-de-bruxa'
Foto: Divulgação/Rurap

O Governo do Amapá participa até esta quinta-feira, 27, em Belém, do Workshop Internacional sobre Emergência Sanitária da Cultura da Mandioca na Amazônia. O evento internacional reúne órgãos do Brasil, Suriname, Colômbia e Guiana Francesa, para desenvolver ações integradas de pesquisa e extensão nas áreas afetadas pela 'vassoura-de-bruxa'.

O evento tem por objetivo desenvolver uma estratégia na região para prevenir o impacto e a propagação da doença, causada pelo Rhizoctonia Theobromae na mandiocultura, visando interromper o ciclo de transmissão a outras regiões e espécies, além de garantir a soberania alimentar e a conservação do patrimônio biocultural da região.

Representantesdos diversos países presentes no evento vão buscar meios de cooperação e captação de recursos em conjunto
Representantesdos diversos países presentes no evento vão buscar meios de cooperação e captação de recursos em conjunto
Foto: Divulgação/Rurap

Representando o Governo do Amapá, o diretor presidente do Instituto de Extensão, Assistência e Desenvolvimento Rural (Rurap), Jorge Rafael, falou sobre as frentes de trabalho deflagradas pela gestão em 2024 e anunciou as próximas medidas implantadas ainda em 2025: 

  • 1 - Frente de controle fitossanitário
  • Instalação de barreiras fitossanitárias pela Agência de Defesa e Inspeção Agropecuária do Estado do Amapá (Diagro);
  • Busca ativa de produtores de mandioca priorizando as áreas de risco (Rurap);
  • Coleta e envio do material para análise laboratorial (Diagro).
  • 2 - Frente de Assistência Social
  • Doação de kits de alimentos às famílias indígenas e não indígenas afetadas pelas secretarias de Estado da Assistência Social (Seas), Extraordinária dos Povos Indígenas (Sepi) e Defesa Civil;
  • Aquisição de manivas, sementes de alto rendimento e sementes de outras culturas alimentares e distribuição às comunidades afetadas, pela Secretaria de Estado do Desenvolvimento Rural (SDR), Sepi e Rurap.
  • 3 - Frente de educação e comunicação
  • Reuniões públicas e palestras nas redes dos municípios e comunidades rurais (Rurap);
  • Produção de cartilha educativa em línguas indígenas, francesa e portuguesa pelas secretarias de Estado da Ciência e Tecnologia (Setec), Comunicação (Secom) e Sepi;
  • Criação de grupos de WhatsApp entre técnicos e agricultores por município para socialização de informações e ações (Rurap).
  • 4 - Frente de Apoio à Pesquisa e extensão
  • Apoio a implantação do campo de multiplicação de manivas resistentes nas terras indígenas (Embrapa, Funai, Sepi, SDR, Rurap);
  • Implantação de estufas termoterápicas hidropônicas para multiplicação rápida de manivas sementes nas comunidades rurais de todos os municípios (Rurap);
  • Incentivo ao plantio de culturas frutíferas, leguminosas e grãos em substituição em áreas de mandiocultura afetadas (SDR, Rurap e Afap);
  • Reforma administrativa do órgão de extensão rural do estado e investimento na infraestrutura e logística de campo e no acesso a tecnologia e conectividade (Rurap)
  • Criação de uma unidade de gestão específica para o atendimento às populações tradicionais - ATER Indígena (Rurap);
Workshop Internacional sobre Emergência Sanitária da Cultura da Mandioca na Amazônia acontece em Belém, no Pará
Workshop Internacional sobre Emergência Sanitária da Cultura da Mandioca na Amazônia acontece em Belém, no Pará
Foto: Divulgação/Rurap

Próximos passos do Governo:

  • Implantação de biofábrica de micro propagação de materiais genéticos resistentes;
  • Implantar campo de multiplicação de manivas resistentes em área não indígena;
  • Implantação de mais estufas termoterápicas em todo o interior do estado;
  • Testes de uso de fungicidas certificadas nas áreas afetadas;
  • Intensificar a busca ativa de observação e registro de plantios de mandioca nos 16 municípios.

Após as discussões desse primeiro encontro, ficou definido que os representantes governamentais e não governamentais dos diversos países presentes no evento vão buscar meios de cooperação e captação de recursos em conjunto, a fim de compartilhar estudos e conhecimento científico sobre a doença e atrair recursos para a prevenção e o combate, sobretudo na propagação de materiais genéticos comprovadamente resistentes aos efeitos do fungo.

"Para evitar que essa doença tomasse grande proporção, o Governo organizou uma verdadeira força tarefa, combinado: ações de controle sanitário para evitar a expansão da doença; ações de educação e comunicação para a prevenção e o combate à praga; apoio as ações de pesquisa e extensão para a produção de manivas resistentes e incentivo a outras culturas agroalimentares; e ações de assistencial social às famílias afetadas", diz Jorge Rafael.

Evento internacional reúne órgãos do Brasil, Suriname, Colômbia e Guiana Francesa
Evento internacional reúne órgãos do Brasil, Suriname, Colômbia e Guiana Francesa
Foto: Divulgação/Rurap

Tratativas conjuntas

Para combater a doença, setores ligados à cadeia produtiva da agricultura familiar do Governo do Amapá se reuniram em fevereiro, com cerca de 60 lideranças indígenas em Oiapoque, onde foram apresentados projetos e benefícios estaduais e federais oferecidos aos indígenas e tratativas de defesa fitossanitária contra a praga 'Rhizoctonia theobromae', durante Conselho de Caciques.

Entre as diversas políticas públicas e oportunidades apresentadas, foi destacada a política de ATER Indígena, com uma abordagem dialógica que respeita as características e tradições culturais e promove uma assistência técnica diferenciada com foco na valorização cultural, fortalecimento organizacional e segurança alimentar dos povos indígenas. No anúncio o Governo garantiu e já cumpriu a contratação de 10 agentes ambientais indígenas para atuar como agentes de educação e extensão rural no combate a praga conhecida como “vassoura de bruxa” da mandioca.

Base alimentar

Em Oiapoque existem três terras indígenas, a Uaçá, Juminá e Galibis, ontem vivem povos originários de 68 aldeias, todas atendidas pela Secretaria Extraordinária dos Povos Indígenas (Sepi), Rurap, Diagro, Seas, Defesa Civil e demais órgãos dos Eixos Econômico e de Cidadania do Governo do Amapá, com diversas ações de atendimento sócio assistencial, de políticas de saúde e educação indígenas, e de controle fitossanitário, pesquisa e extensão rural, sempre atuando em parceria com órgãos do Governo Federal.

Segundo dados do Mapa, Embrapa e Rurap, o aparecimento da doença iniciou no município de Oiapoque, nas terras indígenas, seguindo para Calçoene (Vila Carnot), Amapá, Pracuúba, Tartarugalzinho e Pedra Branca do Amapari, com sério risco de expansão para o Leste e Sul do Amapá, além do Pará.

A mandioca está entre as plantas mais importantes para região norte por ser a base da alimentação de grande parte da população, sendo o cultivo de maior importância depois do trigo, arroz, milho, batata e cevada, no centro-sul do país.

Sintomas

O encontro também evidenciou que os principais sintomas causados nas plantas, em função da doença, são ramos deformados e secos, nanismo, brotos fracos e finos nos caules, além de clorose, murcha e morte das plantas. Sua dispersão pode ocorrer mediante material vegetal infectado, ferramentas de poda, solo, água e movimentação de plantas entre regiões.

Fique por dentro das notícias do Governo do Amapá no ==> Instagram e Facebook.
Tá no ZAP ==> Entre no grupo de WhatsApp e receba notícias em primeira mão aqui!